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III Simpósio Internacional

Filosofia e Literatura

Representações do feminino na Antiguidade

Belém/PA, 19 a 21 de agosto de 2019

 

CASA DAS ARTES

O III Simpósio Filosofia e Literatura. Representações do feminino na Antiguidade, a acontecer de 19 a 21 de agosto de 2019, comemora os dez anos do POIESIS, reunindo pesquisadores de nacionalidade brasileira e estrangeira, cujas apresentações encontram-se voltadas para as múltiplas abordagens do tema. Falar da questão do feminino na Antiguidade significa a tentativa de compreender, seja o modo como as mulheres eram representadas, seja como a sociedade antiga padronizava seus comportamentos, seja para caracterizá-las como portadoras de discursos das mais variadas naturezas, dentre eles o poético, o filosófico, o religioso, o científico.

Se desde a Antiguidade, a figura feminina se encontra associada a desigualdade de gêneros, no entanto este fator não parece ser determinante, posto que ao lado da discursividade masculina que a representa com certo grau de inferioridade, ou mesmo de forma pejorativa, também encontramos discursos femininos que ecoam vibrantemente na filosofia, na literatura, na história, nas práticas religiosas, nas ciências, no teatro.

Outro aspecto a ser observado, diz respeito ao papel e ao lugar previamente definido da mulher na sociedade antiga, mas também na nossa. A proposta de abordagem seria retomar os mais variados discursos femininos da Antiguidade, no sentido de mostrar a importância da voz feminina em um espaço de fala e de ação prioritariamente masculino. 

Organizado pelo Grupo de Pesquisa em Filosofia Antiga e Recepção, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, a temática do simpósio pretende valorizar o papel da mulher, retirando-a do anonimato e mostrando como o discurso feminino envolve a difusão de valores e crenças, podendo ser tomado como um novo paradigma capaz de representar o mundo.

A proposta lançada abriu a possibilidade de introduzir no debate sobre as representações do feminino na Antiguidade, o discurso poético-filosófico de Safo, os mistérios filosóficos de Diotima, a ciência filosófica de Hipátia, ou ainda mostrar como os poetas (épicos, cômicos e trágicos) retiram suas personagens femininas do silenciamento, dotando-as de intensa perspicácia e habilidade discursiva.

Feito o desafio, chegou o momento de recolher as propostas de apresentações e se defrontar com uma rica variedade de abordagens, nos três formatos de exposição adotados: Conferências, Mesas Redondas e Comunicações.

Na filosofia, as filósofas socráticas (Menexena, Argeia, Theognis, Artemísia e Pantácleia de Mégara; Areté de Cirene; Nicarete de Mégara e Hipárquia de Maroneia; Lastênia de Mantineia e Axioteia de Fliunte); as “filósofas” platônicas (Diotima de Mantineia, Safo de Lesbos); a abordagem aristotélica sobre a função da mulher no processo de geração; o amor individual; a perspectiva feminina do amor; a relação amor, beleza, fecundidade; ressonância de Safo em Diotima; visibilidade e invisibilidade na representação platônica de Afrodite.

Na literatura, a poeta mélica Safo de Lesbos, recebe tratamentos variados (a paixão, o ciúme; a beleza, a recordação, o desejo; a homossexualidade; a voz pessoal, o subjetivismo, o intimismo, a privacidade, os sentimentos confessos do “eu”). Na comédia, a recepção das mulheres de Aristófanes em Platão (Lisístrata, Lampito, Praxágora, Cremes); a figura de Lisístrata como símbolo de resistência. Na tragédia, a questão do lamento feminino (Andrômaca, Hécuba e as troianas, Helena, Antígona, Electra); a fatalidade da paixão (Fedra); a imagem da boa esposa (Penélope e Alceste); o sacrifício virginal (Ifigênia); resistência e subversão (Antígona, Medeia); alteridade e duplicidade (Medeia, Ártemis, Gorgó, Afrodite, Atena); o feminino como signo de espera (mulheres de Homero); delírio e desequilíbrio (Agave, Clitemnestra, Medeia); a mãe, a filha, a estrangeira (Jocasta, Medeia, Antígona, Electra, Io). No contexto histórico-literário, a busca de liberdade (Lilith, Santa Clara de Assis, as santas do cristianismo primitivo, Violante do Céu).

A festa dos dez anos do POIESIS expressa a tônica das pesquisas desenvolvidas pelo grupo: a interdisciplinaridade e a recepção dos discursos poéticos e retóricos na filosofia platônica. No cenário da Casa das Arte, de 19 a 21 de agosto de 2019, o debate girará em torno da diversidade de vozes personificadas no canto erótico-amoroso de Safo, nas falas das personagens femininas da comédia e da tragédia, nos discursos das filósofas socráticas, nos questionamentos de Platão e Aristóteles sobre a questão da natureza feminina, no grito pelo direito a liberdade de expressão, de Lilith, de Santa Clara de Assis, das santas do cristianismo primitivo, de Violante do Céu. Evoé! Que as Cárites saúdem este grande encontro!

 

 Belém/PA, 19 de agosto de 2019

 

 

Profa. Jovelina Ramos

Coordenadora do POIESIS

Grupo de Pesquisa em Filosofia Antiga e Recepção

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